quinta-feira, 16 de junho de 2011

Raça Kerry Blue Terrier!

A raça surgiu na Irlanda, onde também é conhecido como Irish Blue, mais precisamente na extremidade sudeste do país nos montes Kerry, no condado de Kerry no século XVIII. Existem inúmeras versões sobre sua descendência, e até uma lenda irlandesa tenta explicar a origem da raça e que conta que, há cerca de três mil anos, um rei celta desposou a filha de um faraó e trouxe para a sua Erin natal uns cães que são os antepassados dos Terriers irlandeses e do Irish Water Spaniel. E provavelmente não dará nenhum crédito à história do naufrágio que aconteceu há tempo na costa do condado de Kerry, cujo único sobrevivente foi um cão azul. Lendas à parte, a teoria mais aceita sobre a origem do Kerry Blue é de que tenha como antepassados o Irish Terrier, o Dandie Dinmont Terrier e o Bedlington Terrier.
O objetivo dos irlandeses com estes acasalamentos era produzir cães com características fundamentais para cães de trabalho: desejavam um cão de porte médio (para se impor no pastoreio do gado, na defesa do rebanho de ovelhas e na guarda da casa e de seu dono ou família), de fácil manutenção (sua pelagem densa é constituída de fios espessos e ondulados, fazendo com que a pelagem fique "armada" evitando os "nós" e promovendo ventilação entre os pêlos, fazendo com que o cão não apresente mau cheiro), muito rústico e resistente, obediente, afetuoso, leal, corajoso, de reflexos rápidos, ágil, mais sofisticado e introvertido (temperamento mais ameno, calmo) que outros terriers, excelente companheiro, sempre alerta e um caráter tipicamente irlandês: simpático, impulsivo e astuto. Na guarda  do dono ou da casa além de todas essas características tem uma impulsão nas patas traseiras chegando quase a uma altura de 1,8 metros do chão, dentes grandes e fortes e uma mordedura extremamente poderosa.
Já em uma das primeiras exposições organizadas no Eire, a de 1887, em Limerick, há registros de 6 exemplares de terriers na cr azuis-ardósia. Em 1902, já havia catorze - incluídos numa classe de trabalho reservada para eles - na exposição de Killarney. Em Cork, em 1913, havia uma classe de cinco exemplares, todos azul-ardósia e de tamanho relativamente modesto. Em 1916, havia vinte numa nova edição da exposição de Killarney.
Fundamental para a raça foi o trabalho de Casev Hewitt, que teve papel fundamental na divulgação da raça fora da Irlanda, onde os criadores privilegiavam as qualidades de trabalho dos seus cães sem insistirem muito na aparência que, por outro lado, deixava bastante a desejar: não só o pêlo, deixado no seu estado natural, não tinha grande coisa a ver com o impecavelmente desenhado dos outros terriers, como a homogeneidade dos exemplares tanto do ponto de vista das cores como dos tamanho da constituição também não era nada perfeita. Finalmente, e graças ao trabalho de Casey, o primeiro padrão da raça foi descrito pela primeira vez no fim da Primeira Guerra Mundial e a raça foi aceita, oficialmente 1922 (primeira empreitada da raça fora de seu país de origem), também o ano da fundação, na Inglaterra, do primeiro Kerry Blue Terrier Club.
Evidentemente, os norte-americanos não ficaram insensíveis ao potencial das qualidades do Kerry Blue e apenas 2 anos depois do reconhecimento inglês, o American Kennel Club reconheceu a raça em 1924, e em 1926 criou-se o clube norte-americano do Kerry Blue. Não muito interessados em todas as honras em exposições, os criadores irlandeses conseguiram incluir, em 1926, a exigência de que os cães fizessem provas de trabalho para que fossem considerados campões em seu país. Esta foi a forma encontrada para que não se perdesse de vista a importância do temperamento destes cães.
A criação norte-americana fez tantos progressos que atualmente os Estados Unidos é considerado o centro de excelência na criação dos Kerries. No Brasil, os Kerries estão presentes desde 1978 e vários exemplares da raça conquistaram espaço e expressão nas exposições oficiais, sendo por 2 vezes os melhores cães do ranking nacional oficial - 1979 e em 1987.

O Kerry Blue é indicado para as pessoas que já tenham experiência com terriers ou que saibam apreciar o seu temperamento particular. Os terriers têm uma impetuosidade natural, uma valentia, uma vivacidade e um lado obstinado e independente, além de uma profunda afeição aos seus donos, o que os torna diferentes dos cães de pastoreio, dos outros cães de caça ou das raças de companhia. Não é que sejam especialmente difíceis, mas requerem, mais do que qualquer outra raça, um dono cuja personalidade bem acentuada se entenda bem com a sua.
Seu porte médio faz com que se adapte muito bem a diversos tipos de espaço, podendo ser muito feliz em uma casa pequena, lhe convém melhor um bom quintal e longos passeios, devido ao seu caráter naturalmente ativo e extrovertido.
Caracteriza-se por um temperamento alerta, mas menos excitável do que os ´terriers clássicos´ e por serem muito resistentes e velozes podem obter excelentes resultados em provas de agility, esporte no qual podem aproveitar completamente toda sua agilidade.
É uma excelente companhia para crianças, agüentando firme o nível de atividade delas, e dificilmente se cansará antes. Já seu convívio com outros cães é bastante complicado e difícil. Normalmente o máximo que esses cães suportam é a presença de cães do sexo oposto.
No ranking elaborado pelo pesquisador Stanley Coren, no livro ‘A inteligência dos cães’, o Kerry ocupa a 35ª posição entre as raças pesquisadas.

A aparência do Kerry Blue é obtida com a ajuda do corte estético da pelagem, introduzido pelos americanos, canadenses e ingleses, o que deu nova força à raça. Os Irlandeses, que o expuseram pela primeira vez em 1916, não o aparavam, arrumando-o apenas.
Para mantê-lo elegante, é preciso incorporar ao dia-a-dia o hábito da escovação e do trimming periódicos.
A pelagem, que nos filhotes é completamente preta, vai passando por diversas mudanças até que chegue ao seu aspecto definitivo. Normalmente até os 12 meses, a ondulação da pelagem que era suave, se acentua. Até os 18 meses são permitidos pêlos negros. É nesta fase que passam por um clareamento a partir da base até se tornarem azuis, cor oficial raça, um cinza que vai do escuro ao claro, podendo chegar ao quase branco, às vezes com a cabeça, cauda e patas negras.

Assim como o cão adulto, o filhote tem uma energia impressionante que pode, e deve, ser canalizada pelo proprietário especialmente com jogos que incentivem a obediência do filhote. Por isso mesmo, é altamente recomendável que desde cedo o proprietário inicie um programa de adestramento de obediência com seu Kerry, com o objetivo de tornar a convivência mais fácil para ambas as partes.
A educação do filhote requer, acima de tudo, paciência. Especialmente quando o filhote já tiver aproximadamente 6 meses e estiver trocando seus dentes, deve-se evitar que os móveis sejam seu alvo preferencial. Para isso, convém fornecer brinquedos próprios para esta fase.
Não é recomendado que ele seja deixado muito tempo sozinho em casa, sem a supervisão dos donos, porque caso ele se sinta entediado, certamente vai procurar diversão por conta própria e nem sempre o dono vai concordar com os brinquedos que ele encontrou.


O Kerry Terrier é uma raça extremamente rústica em termos de saúde e uma vez que estejam vacinados, vermifugados e sendo alimentados adequadamente dificilmente apresentam problemas.
Também não são propensos a nenhuma doença genética particular como outras raças.
Podem apresentar propensão a alergias e problemas de pele.


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